sábado, 2 de outubro de 2010

TOUTINEGRA

Toutinegra madura,
não te quero saber triste
Nem sequer culpada
de nossos pecadilhos!
Desgoma-te do passado
põe-no numa redoma
em recato
bem guardado.

Olha-me nos olhos
vislumbra um futuro,
sem pensar
nos escolhos

Ensina-me o caminho
o que seja, o que for!
Vivo agora
neste absurdo torpor,
qual ave
caída do ninho!

Será inútil que me traves
que me rejeites
ou me iludas
porque já trago na boca
este perverso sabor
da tua pele suada
em noites de Maio!

Quero-te, assim, a meu lado
desnuda, deitada
(como imagino)
em segredo!

Quero sentir teus seios agudos,
esses frutos maduros
nas minhas mãos!


Quero a doçura
experiente e antiga
de teu ventre
de encontro ao meu!

Quero a geometria
ritmada e perfeita
das tuas coxas
enclavinhadas nas minhas!

Quero que me sintas,
qual Minotauro,
cavalgando teu dorso,
madrugada adentro!

Toutinegra,
voa comigo,
leva-me contigo
para onde quiseres.
Diz-me o caminho
mostra-me a rota
dar-te-ei meu braço
pra onde?
Não importa!

Poemeto-me a ti, enquanto jovem que sou, Toutinegra madura como te quero!

Ivone Soares

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Meu plano és

Você que é uma acção do meu plano
plano feito no além
feito por bem, providencie-me amor!
Planeio somente amar-te
sorrir-te,
prometo-me à ti
nem que vadia fosse
bandida das mais temidas
minha grande culpa seria
querer-te demais...

incompleta me tornas
a cada olhar distante...

Ivone Soares

sábado, 1 de maio de 2010

Re(li)gata

Quando em lugar de feltro é de barro de Outubro
o calor interior das coxas habitadas
Quando a língua é um barco avançando no escuro
de um canal de Corinto entre pardas escarpas
Quando o cheiro do Mar se desdobra em veludo
Quando rompe na boca o mistério das algas
Quando em baixo o teu pé a triturar-me o surdo
perímetro do sexo encontra a madrugada
Quando mais se aproxima a náutica do culto
Quando mais o altar se mostra navegável
Quando mais eu descubro e restauro e misturo
na crista litoral de súbito ampliada
o ritual do grito o ritual do cuspo
e vês que ninguém mais merece esta homenagem
é que enfim te possuo é que enfim te reduzo
a uma luva uma esponja uma deusa uma nave

David Mourão-Ferreira

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Saudades a doer

Por onde andarás?
Não te tenho!
Perco-te neste silêncio
silêncio imposto
pelas circunstâncias- reflectes.
Não perdes nada
Ando vagueando
buscando-te
Buscando formas novas de amar tua carne
amar tua pele
amar-te
Ando vagueando
querendo-te...
Dizes doer
Dizes querer-me
Mas enciumada pões-me
Desapareces do meu controle
Explicações...
parecem vazias de sentido
Vagueio sóbria
nas noites-dias sombrias.

Ivone Soares

domingo, 8 de novembro de 2009

Pranto ao luar

Procurava nua
a lua
procurava confiar
nunca desconfiando.
Procurava
somente andando
Então te achou
e acreditou ser tua
mas tuas são tantas.
Então chorou.
Calma, calma gritei
Aí saltei
consolando-a
chorava um pranto forte
aquelas lágrimas competiam com
o Umbeluzi
paralelamente correndo rumo ao mar
então perguntei:
primeiro amor?
Pranteou mais
forte.
Nada disse
apenas olhei
não acalmei
também chorei.
Tinha o coração pesado
betão armado pareceu
veias congeladas
sangue coagulado
todos sentidos estáticos
aí preocupou-me muito mais
parecia mais
um ser sem vida.
pranteei
gritei: é a primeira vez?
Depois
lembrei
que um dia a mim falou
por mais que se conheça
os humanos sempre
surpreendem
triste fiquei.
Pranteei...


Ivone Soares

É como se estivesse dentro duma banheira de gelo...sinto as veias inchadas, o sangue congelado...o coração imóvel...tristeza profunda....

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Queria dizer, muito

Queria dizer que me importo contigo
Que me importo com teus pensamentos
Que me importo com tuas (talvez) carências
Que me importo com teu bem estar
Queria dizer que me importo mesmo contigo.

Imagino que estarás a fazer
Que objectos estarás a mexer
Que delícias estarás a cozinhar
Que desejos deves ter
Imagino-te

Imagino-te ocupado todo dia
Imagino-te melancólico
sem mim
Imagino-te assim...como imagino

Eu, de mim, também pouco direi
To sozinha
to distante
Nesta Ilha,
Moçambique se chama...

Queria-te perto
como quero
Queria-te comigo
mais que amigo

Sonha comigo!


Ivone Soares

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Também acredito



Há corpos predestinados

Seres gêmeos

há olhos que se contentam quando t' olham

Há mistério no ar...

Também acredito

A respiração está quente

a pele fervente

Hummm...

melhor ir dormir

ocupar o tempo

ocupar o espaço da mente da gente

com os sabores,

os cheiros e até com os amores

amores menos perigosos que a mera prisão da paixão.
Imagem: euzinha

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

BLOG DE OURO!!!

Faço minhas as palavras de Admário Costa Lindo:
«Embora ultimamente tenha andado arredado da net e com isso este blog (entre outros) sofra muito, ainda há quem o visite.»

Recebi este selo do meu ciberamigo Admário Costa Lindo
http://hariapoiesis.blogspot.com/2009/09/blog-de-ouro.html, muito obrigrada por este galardão.

Para compartilhar, siga as regras:
1. Exiba a imagem do selo “Blog de Ouro”;
2. Poste o link do blog de quem te indicou;
3. Indique 5 blogs de sua preferência;
4. Avise seus indicados;
5. Publique as regras;
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo.

Estas são as minhas indicações:

1- Lugar dos sonhos: deixa-me amorar-te! De Carlos Serra http://lugardossonhos.blogspot.com/
2. Rara Avis de Ana Tapadas http://raraavisinterris.blogspot.com/
3. Poíesis de Admário Costa Lindo http://hariapoiesis.blogspot.com/
4. Cartas d'Almor de Juvenal e Manuelita. http://www.cartasdalmor.blogspot.com/
5. Poesia de Agry White http://poesiadeagry.blogspot.com/

Fico triste de ter que confinar os meus gostos literários a apenas 5 blogs, quando muitos mais queria distinguir. Pedem-me apenas 5...sorry!!!

Ivone

domingo, 14 de junho de 2009

Quem m’explica?



Quando ela pensa...diz ser pensada. Porque:

Quando ela trava os dedos que ordenam que o telefone...é telefonada

Quando sonha acordada desejosa de vê-lo...cruzam-se

Quando cai uma pétala d’acácia nos seus negros cabelos

é dita que alguém tá pensando nela

quando decide gelar os desejos...

xicuembos ndaus saem

o corpo treme, saltando

parecem eles mesmos.

Começam calafrios...tremedelas...suspiros...

muitas lembranças esquartejam seus sentidos

nada faz

delira

nega sentir, mas sente

chora de raiva

pensa estar feitiçada

evoca todos antepassados

papá...vovó...

vocês todos com olhos p’ra ver

o que não vejo,

ajudem!

Aí eles reagindo ao chamado

fazem-na retremer, tudo se repete.

Calafrios voltam, suspiros...

E com a alma dilacerada

pelos muitos pensamentos revindos

para e pergunta: quem m’explica?


Ivone Soares



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Tudo o que muito quis...


perdi

Tudo o que muito quis...perdi
Não tenho memória de ter sido útil esforço algum
muitas linhas sei ter rabiscado, 
muitas doces palavras ter proferido, 
muitos quentes gestos ter imaginado,
muito ter sentido
muito ter querido
muito sonho
beijos, aos milhões, dei-te
chorei não saber a medida do teu amor
amor eterno declarei-te
minha alma facaste
e vivo neste puzzle da vida
condenada.
Quero é amar e ser amada
É pedir demais?
Amo muito, intensamente amo
fervorosamente amo
desesperadamente amo
graças ao meu eu poético
posso exteriorizar em A4
mas o dia não é p’ra lamúrias.
No dia dos namorados peço paz
guerra, só na cama...
Amo-te e não sou fingida!



quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Intensamente tacteio-te

Oh! Em mim não acreditarás
Lembraste que OKeizeite?
Reparaste que ignorei-te
Sentiste-me fria?
Viste que sms não respondi?
Nem bondianizeite...pois
tentava fingir de ti não gostar
fazer parecer em ti não pensar.
Indiferente?
até os loucos pensamentos
todos voltados pra ti!
Doidada pareço
tamanha vontade de não te sentir
mas escorres em mim.
Presente ou ausente
muitas ausente...
mas escorres!
Sangue das veias sai
alguns sentidos invertem posições
meus poros olhos ficam
tacteio-te:
minha pele lacrimeja
chuva de lágrimas doces de tesão
umbigo perfurado de tantas noitadas em ti
venho-me neste quente lugar
onde tacteio-te
fogosamente.
Uiii...melhor parar...
me dizes!


Ivone Soares

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Infinitamente...abençoada és!


Antes que o Natal venha, antes
que o ano finde, antes
que a memória se me vá, antes
que o sufoco me sufoque, antes
que os sentidos se confundam, antes
que as rolas te cantem, antes
que as borboletas te sorriam, antes
que Pai Natal te presenteie
antes
minha promessa cumpro,
um poema dedico-te:
vem depois do teu aniversário, vem
depois d´atravessares ruas-avenidas , vem
depois de triciclos (re)quebrares, vem
depois de balbuciares meigas palavras, vem
depois de letras miúdas rabiscares, vem
antes do menino Jesus beijar-te,
minha promessa cumpro.
Abençoada sejas
antes e depois...
ontem e hoje...
Infinitamente...
abençoada és!

Imagem tirada daqui
Ivone Soares

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Quem sabe?

A medida do quanto me amas
quem sabe?
Numa escala de 0 a 10
tento adivinhar...
equaciono as juras
as promessas
as palavras ternas
mesmo assim
exercitando o músculo cerebral
respostas definitivas
essas não tenho.
Quem sabe?
Receio ser injusta
duvidando.
Receio incapacidade ter
pra ler os sinais
receio...
Por demasiadamente querer-te
em demasia anseio saber
afinal: quanto me amas?
Pensei, hoje, no taxi
quem sabe o quanto foi amado?
Dia e noite respiro-te
Nas tardes-madrugadas que não se repetem
nos dias-noite que eclipses parecem
alimento a vista lembrando-nos.
Quando sangram meus olhos
pranteando de saudades
saudades do que não perdi
tenho.
Sabes do que falo?
Demasiado sim, em demasia amo.
Confesso: gosto mais de mim
quando contigo.
Sabes do que falo!

Ivone Soares


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Facaste-me alma

Kido, p'ra dizer que me deste uma facada
Inventei-te o termo "facaste-me".
Como uma facada n'alma pareceu aquela sms
Dias há em que m'elevas a patamares distantes
Noutros,
stressadamente, m'escreves
como que possuído por espíritos de terras estranhas
estranhamente escreves
coisas doidas...loucas
de fazer suar.
Transpiro frio
de tão aquecida pelas incompreensões
calafrios sobem-me espinha acima

Dias há em que me buscas
No baixo-ventral espaço
aquele que causa brívidos
e nem te repousas
aqueces-te os sentidos
inventas fantasmas
nhamussoro pareces
daqueles que das mais malucas adivinhas diz
e transpiro frio.

Zango-me, grito-te, OKeizo-te
mas no fundo amo a tua alma
Vamos namorar?

Ivone Soares

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Como? Apenas se sente...

Como se escreve...
tudo foi já dito?
Os sentimentos
esses que nos arrebatam a alma
não fomos nós a inventar.

Réplicas também não são,
mas coisas do coração.
As manhas desse velho sentimento
emboscam-nos.
É chamado amor
guia-nos,
embrenhamos em seus trilhos
embebeda-nos os sentidos.
De longe vem
de tão longe
que raízes fundas
em nós cria.
Como se escreve?
Apenas se sente...

Ivone Soares

domingo, 27 de julho de 2008

Perpetuamente Meu


Foi tanto dó dói gravado nas costelas
profundamente gravado
quase tatuado que doces palavras
doces como tu
faltavam
o sufoco passou
bela Quarta.
Tentei nada rabiscar...tentei
o que quero
o que quero, hoje, escrever-te
são linhas prenhes d'amor
capaz não me sinto
nada do que não disse deixei de sentir
esta noite re-implanto-te:
perpetuamente Meu!

Ivone Soares

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Tenho dó...dói

Como dizer?
Dói-me a alma...
...saudades do que nem sei
(incompleto)
Ivone Soares

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Condenada


Condenada a pensar em ti
quando acordo
ao fechar os olhos...
penso em ti
no escuro...
penso em ti
onde ando...
penso em ti.
Chama a isso o que quiseres
emociono-me
alucinas-me os sentidos
jogo com a mente
fantasio:
teu cheiro
tuas mãos
todas carícias
ganho coragem...abro os olhos
diante de tudo
estás tu!

Condenada fui
nem sei que dia é hoje
que horas são
que faço aqui
só sei que imenso é o amor
quando abres um sorriso
tudo reluz!
Palpita o coração
palpita
mas vivo esta bela condenação
a cada passo que der
a cada despertar
em cada lufada de ar
respiração profunda ou não
só tu inspiras
meus momentos
toda existência
palpita o coração com cada toque do celular.


Ivone Soares

Imagem tirada daqui

terça-feira, 13 de maio de 2008

Doce lembrança


Guardo-te...doce lembrança!
Lembrança dos segundos infinitos em que teus olhos fixei
guardo sempre juntinho
quente como t'achei
Também achei-te amigo, sensível, doce...
enfim, meigo
...no tocar, no dizer, no me querer
Guardo-te no nós, tu e eu, fervorosamente nós
Quero querendo
quinhentas mil vezes quero
quero teu ser
teu estar...
quero sim
nalgum lugar achei-te
ou achamo-nos?
não sei
apenas lembro que t'aguardo
doce lembrança és!
lembrança não é fim
lembrar-te não é ter-te esquecido algum instante
lembrança é fogo do eterno requerer.

Versos pouco dizem de nós
Estrofes nada definem
Poemas...longe do tanto que significas
neste embaranhado linguajar
tudo e nada te define
singelo toque d'olhares
erupção na certa.
Guardo-te... doce lembrança
Guardo-te em cada luar aventureiro,
afinal...meu pensamento és!

Ivone Soares