domingo, 8 de novembro de 2009

Pranto ao luar

Procurava nua
a lua
procurava confiar
nunca desconfiando.
Procurava
somente andando
Então te achou
e acreditou ser tua
mas tuas são tantas.
Então chorou.
Calma, calma gritei
Aí saltei
consolando-a
chorava um pranto forte
aquelas lágrimas competiam com
o Umbeluzi
paralelamente correndo rumo ao mar
então perguntei:
primeiro amor?
Pranteou mais
forte.
Nada disse
apenas olhei
não acalmei
também chorei.
Tinha o coração pesado
betão armado pareceu
veias congeladas
sangue coagulado
todos sentidos estáticos
aí preocupou-me muito mais
parecia mais
um ser sem vida.
pranteei
gritei: é a primeira vez?
Depois
lembrei
que um dia a mim falou
por mais que se conheça
os humanos sempre
surpreendem
triste fiquei.
Pranteei...


Ivone Soares

É como se estivesse dentro duma banheira de gelo...sinto as veias inchadas, o sangue congelado...o coração imóvel...tristeza profunda....

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Queria dizer, muito

Queria dizer que me importo contigo
Que me importo com teus pensamentos
Que me importo com tuas (talvez) carências
Que me importo com teu bem estar
Queria dizer que me importo mesmo contigo.

Imagino que estarás a fazer
Que objectos estarás a mexer
Que delícias estarás a cozinhar
Que desejos deves ter
Imagino-te

Imagino-te ocupado todo dia
Imagino-te melancólico
sem mim
Imagino-te assim...como imagino

Eu, de mim, também pouco direi
To sozinha
to distante
Nesta Ilha,
Moçambique se chama...

Queria-te perto
como quero
Queria-te comigo
mais que amigo

Sonha comigo!


Ivone Soares

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Também acredito



Há corpos predestinados

Seres gêmeos

há olhos que se contentam quando t' olham

Há mistério no ar...

Também acredito

A respiração está quente

a pele fervente

Hummm...

melhor ir dormir

ocupar o tempo

ocupar o espaço da mente da gente

com os sabores,

os cheiros e até com os amores

amores menos perigosos que a mera prisão da paixão.
Imagem: euzinha

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

BLOG DE OURO!!!

Faço minhas as palavras de Admário Costa Lindo:
«Embora ultimamente tenha andado arredado da net e com isso este blog (entre outros) sofra muito, ainda há quem o visite.»

Recebi este selo do meu ciberamigo Admário Costa Lindo
http://hariapoiesis.blogspot.com/2009/09/blog-de-ouro.html, muito obrigrada por este galardão.

Para compartilhar, siga as regras:
1. Exiba a imagem do selo “Blog de Ouro”;
2. Poste o link do blog de quem te indicou;
3. Indique 5 blogs de sua preferência;
4. Avise seus indicados;
5. Publique as regras;
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo.

Estas são as minhas indicações:

1- Lugar dos sonhos: deixa-me amorar-te! De Carlos Serra http://lugardossonhos.blogspot.com/
2. Rara Avis de Ana Tapadas http://raraavisinterris.blogspot.com/
3. Poíesis de Admário Costa Lindo http://hariapoiesis.blogspot.com/
4. Cartas d'Almor de Juvenal e Manuelita. http://www.cartasdalmor.blogspot.com/
5. Poesia de Agry White http://poesiadeagry.blogspot.com/

Fico triste de ter que confinar os meus gostos literários a apenas 5 blogs, quando muitos mais queria distinguir. Pedem-me apenas 5...sorry!!!

Ivone

domingo, 14 de junho de 2009

Quem m’explica?



Quando ela pensa...diz ser pensada. Porque:

Quando ela trava os dedos que ordenam que o telefone...é telefonada

Quando sonha acordada desejosa de vê-lo...cruzam-se

Quando cai uma pétala d’acácia nos seus negros cabelos

é dita que alguém tá pensando nela

quando decide gelar os desejos...

xicuembos ndaus saem

o corpo treme, saltando

parecem eles mesmos.

Começam calafrios...tremedelas...suspiros...

muitas lembranças esquartejam seus sentidos

nada faz

delira

nega sentir, mas sente

chora de raiva

pensa estar feitiçada

evoca todos antepassados

papá...vovó...

vocês todos com olhos p’ra ver

o que não vejo,

ajudem!

Aí eles reagindo ao chamado

fazem-na retremer, tudo se repete.

Calafrios voltam, suspiros...

E com a alma dilacerada

pelos muitos pensamentos revindos

para e pergunta: quem m’explica?


Ivone Soares



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Tudo o que muito quis...


perdi

Tudo o que muito quis...perdi
Não tenho memória de ter sido útil esforço algum
muitas linhas sei ter rabiscado, 
muitas doces palavras ter proferido, 
muitos quentes gestos ter imaginado,
muito ter sentido
muito ter querido
muito sonho
beijos, aos milhões, dei-te
chorei não saber a medida do teu amor
amor eterno declarei-te
minha alma facaste
e vivo neste puzzle da vida
condenada.
Quero é amar e ser amada
É pedir demais?
Amo muito, intensamente amo
fervorosamente amo
desesperadamente amo
graças ao meu eu poético
posso exteriorizar em A4
mas o dia não é p’ra lamúrias.
No dia dos namorados peço paz
guerra, só na cama...
Amo-te e não sou fingida!



quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Intensamente tacteio-te

Oh! Em mim não acreditarás
Lembraste que OKeizeite?
Reparaste que ignorei-te
Sentiste-me fria?
Viste que sms não respondi?
Nem bondianizeite...pois
tentava fingir de ti não gostar
fazer parecer em ti não pensar.
Indiferente?
até os loucos pensamentos
todos voltados pra ti!
Doidada pareço
tamanha vontade de não te sentir
mas escorres em mim.
Presente ou ausente
muitas ausente...
mas escorres!
Sangue das veias sai
alguns sentidos invertem posições
meus poros olhos ficam
tacteio-te:
minha pele lacrimeja
chuva de lágrimas doces de tesão
umbigo perfurado de tantas noitadas em ti
venho-me neste quente lugar
onde tacteio-te
fogosamente.
Uiii...melhor parar...
me dizes!


Ivone Soares

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Infinitamente...abençoada és!


Antes que o Natal venha, antes
que o ano finde, antes
que a memória se me vá, antes
que o sufoco me sufoque, antes
que os sentidos se confundam, antes
que as rolas te cantem, antes
que as borboletas te sorriam, antes
que Pai Natal te presenteie
antes
minha promessa cumpro,
um poema dedico-te:
vem depois do teu aniversário, vem
depois d´atravessares ruas-avenidas , vem
depois de triciclos (re)quebrares, vem
depois de balbuciares meigas palavras, vem
depois de letras miúdas rabiscares, vem
antes do menino Jesus beijar-te,
minha promessa cumpro.
Abençoada sejas
antes e depois...
ontem e hoje...
Infinitamente...
abençoada és!

Imagem tirada daqui
Ivone Soares

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Quem sabe?

A medida do quanto me amas
quem sabe?
Numa escala de 0 a 10
tento adivinhar...
equaciono as juras
as promessas
as palavras ternas
mesmo assim
exercitando o músculo cerebral
respostas definitivas
essas não tenho.
Quem sabe?
Receio ser injusta
duvidando.
Receio incapacidade ter
pra ler os sinais
receio...
Por demasiadamente querer-te
em demasia anseio saber
afinal: quanto me amas?
Pensei, hoje, no taxi
quem sabe o quanto foi amado?
Dia e noite respiro-te
Nas tardes-madrugadas que não se repetem
nos dias-noite que eclipses parecem
alimento a vista lembrando-nos.
Quando sangram meus olhos
pranteando de saudades
saudades do que não perdi
tenho.
Sabes do que falo?
Demasiado sim, em demasia amo.
Confesso: gosto mais de mim
quando contigo.
Sabes do que falo!

Ivone Soares


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Facaste-me alma

Kido, p'ra dizer que me deste uma facada
Inventei-te o termo "facaste-me".
Como uma facada n'alma pareceu aquela sms
Dias há em que m'elevas a patamares distantes
Noutros,
stressadamente, m'escreves
como que possuído por espíritos de terras estranhas
estranhamente escreves
coisas doidas...loucas
de fazer suar.
Transpiro frio
de tão aquecida pelas incompreensões
calafrios sobem-me espinha acima

Dias há em que me buscas
No baixo-ventral espaço
aquele que causa brívidos
e nem te repousas
aqueces-te os sentidos
inventas fantasmas
nhamussoro pareces
daqueles que das mais malucas adivinhas diz
e transpiro frio.

Zango-me, grito-te, OKeizo-te
mas no fundo amo a tua alma
Vamos namorar?

Ivone Soares

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Como? Apenas se sente...

Como se escreve...
tudo foi já dito?
Os sentimentos
esses que nos arrebatam a alma
não fomos nós a inventar.

Réplicas também não são,
mas coisas do coração.
As manhas desse velho sentimento
emboscam-nos.
É chamado amor
guia-nos,
embrenhamos em seus trilhos
embebeda-nos os sentidos.
De longe vem
de tão longe
que raízes fundas
em nós cria.
Como se escreve?
Apenas se sente...

Ivone Soares

domingo, 27 de julho de 2008

Perpetuamente Meu


Foi tanto dó dói gravado nas costelas
profundamente gravado
quase tatuado que doces palavras
doces como tu
faltavam
o sufoco passou
bela Quarta.
Tentei nada rabiscar...tentei
o que quero
o que quero, hoje, escrever-te
são linhas prenhes d'amor
capaz não me sinto
nada do que não disse deixei de sentir
esta noite re-implanto-te:
perpetuamente Meu!

Ivone Soares

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Tenho dó...dói

Como dizer?
Dói-me a alma...
...saudades do que nem sei
(incompleto)
Ivone Soares

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Condenada


Condenada a pensar em ti
quando acordo
ao fechar os olhos...
penso em ti
no escuro...
penso em ti
onde ando...
penso em ti.
Chama a isso o que quiseres
emociono-me
alucinas-me os sentidos
jogo com a mente
fantasio:
teu cheiro
tuas mãos
todas carícias
ganho coragem...abro os olhos
diante de tudo
estás tu!

Condenada fui
nem sei que dia é hoje
que horas são
que faço aqui
só sei que imenso é o amor
quando abres um sorriso
tudo reluz!
Palpita o coração
palpita
mas vivo esta bela condenação
a cada passo que der
a cada despertar
em cada lufada de ar
respiração profunda ou não
só tu inspiras
meus momentos
toda existência
palpita o coração com cada toque do celular.


Ivone Soares

Imagem tirada daqui

terça-feira, 13 de maio de 2008

Doce lembrança


Guardo-te...doce lembrança!
Lembrança dos segundos infinitos em que teus olhos fixei
guardo sempre juntinho
quente como t'achei
Também achei-te amigo, sensível, doce...
enfim, meigo
...no tocar, no dizer, no me querer
Guardo-te no nós, tu e eu, fervorosamente nós
Quero querendo
quinhentas mil vezes quero
quero teu ser
teu estar...
quero sim
nalgum lugar achei-te
ou achamo-nos?
não sei
apenas lembro que t'aguardo
doce lembrança és!
lembrança não é fim
lembrar-te não é ter-te esquecido algum instante
lembrança é fogo do eterno requerer.

Versos pouco dizem de nós
Estrofes nada definem
Poemas...longe do tanto que significas
neste embaranhado linguajar
tudo e nada te define
singelo toque d'olhares
erupção na certa.
Guardo-te... doce lembrança
Guardo-te em cada luar aventureiro,
afinal...meu pensamento és!

Ivone Soares

domingo, 20 de abril de 2008

"n" vezes tu


Tantas promessas trocamos
De tudo prometemo-nos
De tudo sonhamos
Lá no fundo sabes-me assim
sincera, apaixonada a cada instante
"n" vezes e todas por ti meu ópio
Desde aquele ano em que t' olhei
quando me namoravas com furor
palavras bastavam
neste Domingo kido
sereno como está
desejos inconfessáveis assolam-me
parece um dilúvio
tudo humidificado
olhos esbugalhados
mãos trémulas
frio por fora
boca entreaberta
pernas cruzadas
pés descalços
tronco semi nú
coxas despidas
pele fervente
cabelos soltos
poros destapados
tudo sabe assim
àquele meu geito...
Testa reluzente
unhas pintadas
borrada de desejos...os inconfessáveis!
Tudo em calma harmonia
tua voz ecoando em mim
teus pêlos me roçando a alma
teu general afagando minhas entranhas
tu em mim ...eu raíz de ti
serena, borbulhando na sepultura do breve
de tão intimamente mexida que tou...
coveiro, tira-me do sufoco
docemente aqui...sou-te a meu modo.

Ivone Soares


domingo, 13 de abril de 2008

Liberato


Liberato meu sempre eterno serás
pai que muito ensinou
maravilha de pai
recordo-te, hoje, recordado sempre és
Venero-te pai...miúda deixaste-me
apenas em carne...
pai teu espírito vivo ficou desde ontem
não aquele ontem comum
pai faz, neste 2008, 20 anos sem teu sorriso
Idolatro-te!
pela dignidade do teu ser
pelos ensinamentos muitos que me deixaste
venero-te
Sabes pai, exulto de contentamento
cai, neste exacto, uma chuva amiga
daquelas que molha a alma
daquelas que nos faz sentir saudades
Pai...pudera eu abraçar-te agora
forte tão forte como a saudade que de ti tenho
Hoje, este é pra ti
este amoroso palavreado dedico-te
serenamente estou
por fora
lá dentro... explodindo de saudades
quentes como só teu beijinho na face
saudades ternas, saudades doridas
maldiz-se dos homens...mas pai
tua filhota um beijinho manda
com sabor de chuínga
As sandálias interfranqueiras que me deste
aquelas de várias cores
a chuínga sabiam
não que as metesse na boca
ao de longe inalava-se aquele cheiro inconfundível
Pai este dedico-te
Eterno meu idolatrado.

Ivoninha chamavas...
assim pra ti assino.

sábado, 5 de abril de 2008

Como vim ao mundo

Quando me vim?
Terei me vindo naquele Outubro?
Troco o ordenamento das palavras
troco a sequência gramatical
no lugar de razoar...apenas quero sentir
invento-me reinventando-te palavras
De todas aprontei
nosso vocabulário procurado é.
Ligou-me o jornaleiro
"Ivone anúncios há...
por tudo que é jornal da praça
suplicando a quem souber
a tradução do teu linguajar"
assim disse ele!
Respondo-lhe:" sumauma traduz-se?
maçanicas descrevem-se?
ugauga conta-se?"
Jornaleiro pasmo diz-me
"miúda, não trunques os poemas"
Ahhh...meu velho jornaleiro
aí está o apelo à imaginação...
Sim, lembro-me agora
foi naquele Outubro sim
aos berros me vim
excitada por ver o dia
aquela linda manhã marcou este início
não início qualquer
mas o início da vida da nossa história.

Mas...afinal por que escrevi isto?
Por me ter vindo?
Sim, quem sabe, talvez seja
o certo kido
certo é sentir-me vir a cada manhã-madrugada
nas tardes-noite quando calmamente nos cruzamos
parece o eclipsar de corpos fundidos
Sim... é difícil de imaginá-lo
mas tu, o oculto desnudas
e assim me vim:
corpo nú
alma coberta
garganta explodindo
é o gemido Outubral...
23ª rodada...eis-me contigo!

Ivone Soares


quarta-feira, 2 de abril de 2008

A batalha que travas


Escondes em ti o homem pra ela
Tocação adiada
febril vejo-a
Consolo-a, escrevo-te
ama-a!
Confessa-me, conselhos pede
descabela-se e chora...
é aquela que entende tudo pra entender
se a beijas
percebes que única é
adiando, sofrida fica
não mais palavras tenho
vocavulário esgotado
decido interceder
ama-a!

Fi-la ver o quanto a queres
fi-la sentir-te presente mesmo ausente
tudo fiz...tudo faço
quero-vos felizes
não por mim...não
não por ti...talvez não
por aquela sim...
por quem batalhas travas
negando-te
ama-a!

Intercedo sim, por ela que sou eu
eu tua ontem, hoje, amanhã também
a batalha que me travas
eu a desguarnecida
eu tua sempre
dá-me brívidos
não sabes como compreendo-te
e por isso sou como me queres
agridoce!
Vinagre e açucar em mim
sou como me queres
por isso ama-me!!!


Ivone Soares


Imagem tirada daqui